Onde fui parar derpois da maternidade?

setembro 19, 2017




Que posição no ranking de prioridades eu estou depois que me tornei mãe? Porque estou esquecendo de mim? Para ser boa mãe deveria me dedicar mais a minha filha? Quantas perguntas, como responde-las?
Perguntas carregadas de culpa rodeiam o mundo das mães. Quando nasce o 1º filho de uma mulher nasce uma mãe, mas é desde a gravidez que as coisas já não começam ir muito bem.
A gente as vezes sonha em ser mãe, o filho é super esperado e desejado, mas o que não sabemos é o quão vamos ter que nos “abandonar” para essa benção, acontecer, acho que esse é o nome ideal para maternidade: benção e para recebe-la exige sacrifícios
Começa na gravidez, incrivelmente as pessoas te esquecem como mulher só te vêem como mãe ou portadora de um bebê e que tudo já gira em torno dele, além das mudanças no corpo, que  junto tem alteração de hormônios que brinca com nossos sentimentos e etc, vem aquele “cuidado” de todos. Presentes? só para o bebê, comidinhas? Só o que será boa na gestação. Compras? Ah!!! essas então só em torno do bebê… enfim essa acho que seria a primeira etapa do auto esquecimento, e não vou te dizer que nós mães estamos tristes com isso não, até porque sinceramente, não estamos nenhum pouco. É um momento divino, estamos felizes, fazendo compras, sendo elogiadas, comendo coisas saudáveis e etc, mas tudo para e pelo nosso filho.
Do nascimento em diante a história muda bastante até porque antes parecia estar tudo sob controle e bem fácil, afinal nossos pequenos estavam na nossa proteção, literalmente dentro de uma bolha. Agora que nasceu é que são elas.
Muitas vezes o pai precisa continuar trabalhando não tem o tempo necessário para nos ajudar, ou tem aquela ajuda que atrapalha, afinal nos tornamos leoas e nós é que sabemos de tudo e assim vamos acumulando mais tarefas e responsabilidades.
Já não escolhemos nossa hora de dormir, comer, falar ao telefone, ver televisão ou ler um livro. Tomar banho não é mais como antes, um dia vc ate consegue molhar o cabelo mas nem sempre chega a etapa do condicionador, mas acho que nessa época um sonho de mulher è pode fazer seu “cocozinho” em paz, e não seria nada além de 5 ou até 10min.
Quem não é mãe apenas pensa que isso tudo é pura desorganização logística, afinal é só fazer as coisas enquanto o bebe dorme. Fácil , se não fosse irreal.
Sim o bebê dorme e a 1º coisa que pensamos em fazer é dormir junto, se não conseguimos já estamos fazendo coisas que giram nesse universo materno, tipo a comidinha do bebê para quando acordar, lavar a roupinha, passar ou até mesmo ler para saber como educa-los, afinal até isso mudou muito. Se levar em consideração que a maioria das mães não tem uma estrutura de funcionários como diarista a situação piora, porque enquanto o bebê dorme (fato que vai diminuir com o passar dos meses) muitas ainda vão arrumar a casa, cuidar da comida da família e ou resolver coisas de trabalho. Se por acaso a mãe tem toda a estrutura, vem a culpa, mas isso comentamos mais para frente.
Quem acha que a situação melhora quando os filhos crescem eu digo: não, não melhoram.
Parei de fazer luzes e hidratações em cabeleireiro, assim como pé e mão,  afinal quando tenho o dinheiro, que por muitas vezes eu direcionei em comprinhas (inúteis e poucas necessárias para minha filha) eu não tenho o tempo, levá-la comigo é passar nervoso na certa ou incomodar os outros, afinal uma criança de 4 anos não pára!
Ah! mas quem me dera que me deixar de lado se resumisse em meu cabelos e unhas, doce sonho. Me deixar de lado incluir em em adequar meu trabalho (coisa que mudei também em decorrência da maternidade) na rotina da Marcela (minha pequena de 4 anos),  dormir quando ela permite, comprar o que me resta, quando resta, atividades físicas não passam de pequenos passeios no parque. No dia a dia, não cuido mais de mim, simples assim, foi se a época que tomava banho, passava meus 300 creminhos para cada parte do corpo e rugas que pudessem aparecer, nunca dormia de maquiagem (se bem que agora tb não porque raramente as uso, mas quando uso eu durmo), passeios em shoppings resumem-se a comidas e lojas de brinquedos, teatros e cinemas apenas infantis, assim como minha turma de amigos que são formadas pelos amiguinhos que ela mais tem afinidade, então é natural nos aproximar mais dessas mães. Aí te pergunto: Onde eu fui parar?
Pois é eu que sempre amei sair, curtir, me arrumar, me cuidar, fazer exercícios e principalmente dormir. Ahhhh como eu gostava disso e o pior não fazê-lo gera um mal humor profundo, uma falta de paciência incrível e uma preguiça de viver.
Aí vem a parte da culpa, me sinto péssima por tudo isso, mas eu amo minha filha, e adoro fazer as coisas por ela, mas depois de 4 anos focada nela estou pagando uma conta. Eu mudei, fiquei feia, meu corpo mudou, to careta (vendo perigo em tudo), sem vontades e pior me acostumando a ser assim. Sei que é errado e quando tento mudar, encorajo-me, faço agenda s e me preparo para começar a dieta, a caminhada e usar o secador, mas ai sempre acontece algo, pequenas doenças, eventos da escola, lição de casa inesperada, dormiu na hora que não podia, não quis comer, amiguinho ligou para ir na casa enfim…. volta a super mãe e foco na filha e vamos lá.
A culpa, essa sim esta me consumindo, primeiro pelo fato de cada vez que eu tento cuidar mais de mim, preciso abrir mão de algumas coisas da Marcela, e aí me sinto péssima e ela sente isso, pronto, aí minhas frustrações vem a tona e a necessidade de ser boa mãe, educar e ensinar em 100 % do tempo me consome, quando vejo estou aos gritos, ou irritada.
Não estou aqui para reclamar de ser mãe não, até porque eu amo, amo minha filha, amei estar grávida amo minha família, mas infelizmente a maternidade não é como comercial de margarina ou livros e blogs que nos ensinam em 12 passos como educar nossos filhos. A maternidade é dura, porque sempre que queremos o melhor de algo ou de alguém precisamos ralar, dedicar e ter fé.
Todos os dias tento ser uma boa mãe, mas todas as noite durmo com a sensação de ter sido a pior. Difícil é lidar com a culpa do que fez, como fez ou do que não fez ou deveria ter feito, mas quando vemos já foi e tempo passa, a culpa e a vontade de ser melhor aumenta assim como a frustrações  de não saber se estamos conseguindo.
Nos deixar de lado também envolve a maternidade, temos que ceder, deixar de escolher, aceitar e saber se impor, mas sempre em beneficio dos filhos e da família e mais uma vez nos deixamos, e mal sabemos o quão mal isso faz para nós e para família.
Me pergunto todos os dias como ser boa mãe se eu me esqueci de mim?
Beijos
Marta Gomis

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